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Prosas
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Fim do ano - tempo labiríntico
 Fim do ano - tempo labiríntico
Tempo múltiplo?
Tempo circular sem conciliações consigo mesmo?
Em alguns de nós habita a necessidade absoluta de solidariedade e de reflexão permanente, sabemos que todas as nossas percepções, paixões e ideias são dependentes da nossa mente, mas vemos o tempo sempre de formas diferenciadas, sabemos que de nós também dependem alguns fazeres, saberes e prazeres coletivos. Num tempo circular crescente de mudança, sentimos cada vez mais que a noção de passado, presente e futuro se misturam, onde por vezes acreditamos nos nossos sonhos e fazemos promessas, sim promessas como compromissos individuais e coletivos.
O tempo é uma infinidade de e .......
Constança Lucas 2007
Escrito por CL às 19:15:18
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contarelo
não sei porque tenho esta mania de contar histórias, conto-as para mim, conto-as para os amigos, conto-as aos molhos, calada e cantante, conto-as para o vento, conto-as dentro e fora de mim, nada entendo deste mundo e cedo comecei a inventar espaços em cantigas de embalar, sim de embalar por caminhos onde teimo continuar à procura das respostas que não terei, mas as perguntas parecem ser cada vez mais, não sei porque tenho esta mania de não gostar de mentiras, oiço-as por todos os lados, conto uma mentira para mim na tentativa de aconchegar-me na vida, há mentiras de todos os tamanhos, há-as compridas, curtas,dengosas, amorosas, maldosas, invejosas, com e sem adjetivos, com e sem humanidade, não sei porque tenho esta mania pelas palavras, espaço de liberdade, de brincar, de inventar caminhadas
Constança Lucas
Escrito por CL às 21:43:07
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Olhares sobre o bairro
Prosas de inverno ao sul da terra
dias de se abrirem a janelas como se ameias fossem para olharmos o horizonte, estamos a 900 metros acima do mar e se te disser que tenho dois camelos estacionados do outro lado da rua, bem pertinho uma laranjeira carregada, são de tecido numa tentativa realista de representação, não, não perguntei de onde vieram, imagino que façam parte de algum desfile carnavalesco, sem abrigo vieram para o quintal onde uma criança e um cão branco brincam nas suas pernas já meio esfarrapadas, passo os olhos mais uma vez pela rua e vejo m casal a beijar-se exaustivamente como raros, será que assim os imagino, tens razão gosto de os imaginar assim, os camelos olhavam os beijos e as laranjas, quantos desejos engessados por baixo daqueles farrapos

fotografia e texto de Constança Lucas - agosto de 2007
Escrito por CL às 21:32:47
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Minguante - revista de micronarrativas
Leiam na Minguante
http://minguante.com/?num=7&textos=constanca_lucas

Escrito por CL às 06:37:13
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nestas noites
nestas noites onde as palavras se escondem nos bolsos do que nem sabemos ser, lambemos uma lágrima torta que teimosa escorrega pelo olhar mais atento, os horizontes misturam-se por não e por sim, só nos sonhos existem respostas francas e neles nada deixa de poder voar, com os pés cheios de barro o caminho identifica-se nas pequenas árvores que à beira da estrada ainda resistem, folhas imensas do tamanho de um chapéu, os cheiros esses são do alecrim que carrego no bolso para não me esquecer de acordar por alguns minutos durante o dia, já não tenho saudades de rostos ou vozes, apenas de sinceridade
Constança Lucas 2007
Escrito por CL às 22:00:53
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Talvez seja esta vontade

Talvez seja esta vontade de soletrar a terra e de agarrar entre os dedos as letras em grãos amolecidos pelas águas de chuvas cheias de frases enternecedoras nos rios que nunca mergulhei, talvez seja esta vontade de acreditar que poderemos ouvir as raízes dos sentidos, talvez seja esta vontade de olhar as plantas e com elas conversar longamente sobre o sol que se esvai pelas nossas veias, talvez seja esta vontade telúrica que esgarça o coração.
© Constança Lucas 2007
Escrito por CL às 23:13:27
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Desenhar para continuar a ver aquele verde

Vagava pelo corredor com muitas portas, duas janelas nas pontas, numa as canas em gestos sem tempo, muitos verdes assobiavam para mim e na outra ponta o verde de azulejos, verdes, tão verdes, cheios de água. O tempo perdia-se no meu esquecimento, nas gavetas de luz, nos folhos de flores, nas páginas lidas e relidas, nas colecções encantadas pelas demoras, pelo acreditar que sempre seria assim, leve, com os medos guardados, delicadamente quente, assim desenhava, desenhos sem fronteiras, no desenhar o tempo continua abraçado ao meu querer.

Constança Lucas
Escrito por CL às 23:39:29
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Ontem contei-te
Ontem contei-te dos meus mergulhos no mar e como o mundo era uma manta de água azul. Menina de pés na areia corria a chapinhar a água salgada dentro do sorriso doce. Cada gota entrava na pele dourada do sol, veloz enredava-me em longos percursos nesse tempo vago. Revejo-me com vontade de recontar esses passeios, sento-me à beira da manta azul e continuo a falar com o mar.
Constança Lucas 2007
Escrito por CL às 22:13:41
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há palavras adormecidas nos colos de água vermelha
há palavras adormecidas nos colos de água vermelha oiço os sons de noite e de dia, de alguns esqueço-me, outras guardo como palavras ditas em momentos de ternuras longas no céu da boca encantado com a música de quem inventa mundos todos os dias, nas mãos de peles sedentas e cantigas de mentiras doces, aprende-se a olhar as paisagens e a conversar com as árvores mesmo ausentes, sinto os olhos cheios de paladares verdes de folhas e ramas ruidosas nos ventos da serra, nas encostas, nas baias, nos mares que me atravessam, atlânticos ao norte e ao sul em tantos continentes. é o sangue que fala e desata os nós, a memória amiga do esquecimento num passeio alegre de nuvens em azul cheio de falares
Escrito por CL às 07:53:03
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