Imagem e palavra - Constança Lucas


azuis e mudas

um pássaro azul pousou nas ternuras adormecidas
nos desenhos das nuvens olho as letras imaginadas

oiço o que me apraz com dedos de longos caminhos
nestas folhas encantadas cheias de dons misteriosos

 

Constança Lucas 2007



Categoria: olhares
Escrito por CL às 21:10:03
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Atlânticos- caderno de desenhos - algumas páginas X


caderno de desenhos - Constança Lucas - 2007



Categoria: Desenhos
Escrito por CL às 22:31:50
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Atlânticos- caderno de desenhos - algumas páginas IX


caderno de desenhos - Constança Lucas - 2007



Categoria: Desenhos
Escrito por CL às 23:28:51
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Alpharrabio

http://www.alpharrabio.com.br/index.htm

site referência de pesquisa para quem quer
acompanhar a vida cultural no ABCD



Categoria: Link
Escrito por CL às 22:55:28
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numa harmonia de saudades futuras

Foi num adeus que mais te amei
nas nossas mãos as cores cantaram
numa harmonia de saudades futuras
nos quereres contorcidos em ondas quentes
onde o lenço imaginado corria pelo vento
nas ruas da nossa cidade encantada
só de palavras e afeições longas
olhávamos as folhas em silêncio
por tanto querermos os toques
em arrepios de ternuras
lânguida corri pelo teu corpo
por nada nele deixar de querer
fiquei embevecida com o teu canto
por infinitos tempos das nossas peles

Poema de Constança Lucas



Categoria: Poesia
Escrito por CL às 23:15:03
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Atlânticos- caderno de desenhos - algumas páginas VIII

caderno de desenhos - Constança Lucas - 2007



Categoria: Desenhos
Escrito por CL às 23:07:57
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Atlânticos- caderno de desenhos - algumas páginas VII

caderno de desenhos de Constança Lucas - 2007



Categoria: Desenhos
Escrito por CL às 22:10:06
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Museu da Língua Portuguesa - São Paulo

Museu visto da Pinacoteca
Fotografia de Constança Lucas junho 2007

 

Clarice Lispector 1920 - 1977

na exposição há destaques da relação da Poeta com os cães
são frases tiradas dos seus livros e fotos dos seus cães

tirei estas fotos na exposição sobre Clarice Lispector
no Museu de Língua Portuguesa
a exposição fica até setembro de 2007



Categoria: olhares
Escrito por CL às 22:20:36
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Atlânticos- caderno de desenhos - algumas páginas VI


caderno de desenhos de Constança Lucas - 2007


Escrito por CL às 22:09:08
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Atlânticos- caderno de desenhos - algumas páginas V

caderno de desenhos de Constança Lucas - 2007



Escrito por CL às 22:14:56
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Atlânticos- caderno de desenhos - algumas páginas


caderno de desenhos de Constança Lucas - 2007

Escrito por CL às 23:21:33
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Metro - São Paulo - estação Sumaré

 Fotografias de Constança Lucas - 2007



Escrito por CL às 22:42:14
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há palavras adormecidas nos colos de água vermelha

há palavras adormecidas nos colos de água vermelha
oiço os sons de noite e de dia, de alguns esqueço-me, outras guardo como palavras ditas em momentos de ternuras longas no céu da boca encantado com a música de quem inventa mundos todos os dias, nas mãos de peles sedentas e cantigas de mentiras doces, aprende-se a olhar as paisagens e a conversar com as árvores mesmo ausentes, sinto os olhos cheios de paladares verdes de folhas e ramas ruidosas nos ventos da serra, nas encostas, nas baias, nos mares que me atravessam, atlânticos ao norte e ao sul em tantos continentes. é o sangue que fala e desata os nós, a memória amiga do esquecimento num passeio alegre de nuvens em azul cheio de falares



Categoria: Prosas
Escrito por CL às 07:53:03
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Atlânticos- caderno de desenhos - algumas páginas


caderno de desenhos de Constança Lucas - 2007



Categoria: Desenhos
Escrito por CL às 23:03:30
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Atlânticos- caderno de desenhos - primeiras páginas


Constança Lucas 2007

Escrito por CL às 07:45:59
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Atlânticos - Moleskine - 2007


caderno de desenhos de Constança Lucas - 2007

Escrito por CL às 14:44:34
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Hoje é dia dos anos de Fernando Pessoa

 Poema de Fernando António Nogueira Pessoa
(Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935)


desenho digital de Constança Lucas

Santo António

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
No dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma calma e ansiosa,
Et cetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra cousa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isso ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.
Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz,
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza,
Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto; é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi um Papa?...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo? O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas ou não-coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arroste
Na nora de erros
Duns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história.
Quem foste tu ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E, cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Por que demónio
É que foram pregar contigo em santo?

Fernando Pessoa
9/6/1935


Escrito por CL às 07:12:16
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atelier



Escrito por CL às 20:31:16
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 Constança Lucas



Escrito por CL às 20:29:15
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água salgada

não saberás as vontades
tirar-te-ei da minha invenção
não saberei respirar nos dias de nevoeiro
para depois enfim nadar sem cansaço
não saberemos acordar no oceano
afinal é água salgada e tu reclamas
não sabereis olhar-nos por dentro
as nossas roupas estão cheias de cores
não saberão entoar as canções
pelas palavras mais atordoadas
não saberiam sentir o vento
nestas brisas encantadas

Constança Lucas - 2007



Categoria: Poesia
Escrito por CL às 22:30:14
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Sesimbra - anos 60 ????

Edição de Domingos Correia Gonçalves  - Sesimbra





Escrito por CL às 17:38:23
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Jardim

aquarela sobre papel

©Constança Lucas

folhas de dentro, folhas de fora
das nossas ideias, das nossas linhas
silêncios perpetuados sem esperança
no navegar da terra desse imenso
tempo de flores à espera
das sombras que cantarão
nessas cores de frio ocre
neste outono ao sul, cheio de folhas
esquecidos os sons, seguem
novos caminhos de canções doces



Categoria: Desenhos
Escrito por CL às 19:40:24
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